Situado em pleno coração de Viena, na Áustria, o Karl Marx Hof, estende-se ao longo de mais de um quilómetro de comprimento e quatro paragens de ónibus. Não é impunemente que é considerado o edifício residencial mais comprido do mundo e um símbolo do poder dos trabalhadores nos anos de ouro do socialismo europeu.
Quando foi inaugurado, em 1930, o Karl Marx Hof não se distinguia apenas pelo seu enorme comprimento, superior a 1100 metros, nem pela sua altura ou pelos tons fortes de amarelo e vermelho das suas fachadas que contrastavam vivamente com as tímidas vivendas em seu redor. Era também um símbolo de uma política socialista e de uma arquitectura ao seu serviço. O Karl Marx Hof erguia-se insolentemente no meio de uma zona chique da cidade e atrevia-se a oferecer mais de 1300 apartamentos para trabalhadores com instalações sanitárias, água canalizada e varandas! – um luxo a que nenhum operário da época tinha acesso.
O Karl Marx Hof tornou-se o arquétipo deste tipo de edifícios. Foi projectado em 1927 por Karl Ehn para uma área de 15 hectares. Todavia, apenas 18% desta área era destinada a habitação (cerca de 1380 apartamentos para 5000 pessoas), uma vez que o resto consistia em jardins e equipamentos comunitários: uma escola, recreios, lavandarias, serviços médicos, estabelecimentos comerciais e instalações sanitárias. Mesmo assim, a dimensão do conjunto é impressionante, como se pode ver numa fotografia aérea.
Longe dos anos de ouro do socialismo europeu e do poder dos trabalhadores, o enorme edifício sucumbiu com o passar do tempo a diversos problemas sociais e arquitecturais. Alguns dos primeiros locatários que ocuparam com orgulho os modernos apartamentos de 1930 ainda ali residem. O sentido comunitário e o bom relacionamento entre os habitantes perdeu-se. Também os apartamentos se tornaram obsoletos, com as suas áreas reduzidas e infraestruturas degradadas. O Karl Marx hof tornou-se um gueto.
Nos anos 90′ foi instaurado um plano de intervenção que incluía obras de reparação da estrutura, substituição de pavimentos, janelas e outros elementos, de modo a ajustar o edifício aos padrões de vida actuais. As habitações restauradas têm vindo a ser ocupadas por jovens em início de vida que não podem pagar alojamentos mais caros noutras zonas da cidade. Alguns tentam organizar actividades colectivas nos espaços livres. A pouco e pouco a vida e o espírito comunitário vão voltando ao maior edifício do mundo…
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